A Navalshore 2011, que se
encerrou na última sexta-feira (5/8), no Centro de Exposições SulAmérica, no
Rio de Janeiro, reuniu 350 empresas de 15 países mais de 14 mil pessoas, que
visitaram os estandes e participaram de painéis e debates que discutiram o rumo
do setor. O evento acontece num momento em que a retomada da cadeia produtiva
naval é uma realidade e que movimenta o País de ponta a ponta, colocando a indústria
nacional como uma das mais promissoras do mundo.
A Navalshore foi à oportunidade para os fornecedores da cadeia
produtiva, principalmente de empresas nacionais, mostrarem seu potencial e
conhecer as necessidades deste setor, para que assim possam preparar-se cada
vez mais para atender as demandas e fechar grandes e novos diante dos anúncios
de incentivos governamentais e a confirmação de perspectivas positivas para os
próximos anos da indústria naval.
Para a edição 2012 da feira, 50%
dos expositores já renovaram a participação, segundo Barbara Nogueira, gerente
da Navalshore.
No primeiro dia de evento, o
secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e
Serviços do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, anunciou um pacote de benefícios que
visa tornar o Estado um polo da indústria de navipeças no País. A estratégia
envolve a criação, por parte da agência de fomento Investe Rio, de linhas de
financiamento para o terceiro e quarto elo da cadeia produtiva na ordem de R$ 3
bilhões, além de redução de tarifas.
O presidente da Transpetro,
Sérgio Machado, também aproveitou a Navalshore 2011 para trazer boas notícias
ao segmento. Ele revelou que até o final do ano deve ser lançada a terceira
edição do Promef, que englobará a licitação de aproximadamente 20 navios de
médio e grande porte nos modelos VLCC, Suezmax e de produtos. A previsão,
segundo ele, é de que até 2020 a indústria naval brasileira esteja produzindo
cerca de 60 navios por ano, reflexo das expectativas do crescimento da produção
de petróleo e derivados, que será de aproximadamente seis milhões de barris por
dia.
O Sindicato Nacional da Indústria
da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) e Federação da Indústria
Naval Argentina (Fina) renovaram, durante a feira, um acordo de parceria que
busca a integração produtiva do Mercosul e a superação de obstáculos para o
crescimento das relações comerciais na região tais como a implantação de uma tarifa
comum.
Conteúdo nacional
A coordenadora em Tecnologia
Naval da Transpetro, engenheira Ana Paula dos Santos Costa, afirmou durante a
palestra “Vencendo os desafios de voltar a construir navios no Brasil”, que o
índice atual de conteúdo nacional de equipamentos e materiais utilizados na
indústria naval brasileira é de 40% (índice que não incluí a mão de obra). “É
um resultado positivo, mas pode ser melhor. A Transpetro tem pedido aos
estaleiros para priorizarem o conteúdo local”, destacou.
Ana Paula ressaltou, no entanto,
que o Brasil avançou muito: “O recomeço da nossa indústria naval foi em 2000 e
já estamos com esse índice de 40% de participação. O Japão levou 100 anos para
atingir os 100% e a China, que já tem um histórico maior no segmento, tem 53%”,
comparou a engenheira, que diz acreditar no crescimento da cadeia produtiva
nacional no momento em que houver uma maior redução de custos e estabilidade
cambial.
O otimismo da Transpetro é
acompanhado pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e
Equipamentos). César Prata, presidente da Câmara de Equipamentos Navais da
entidade, acredita que as embarcações de apoio marítimo serão o grande mercado
para setor de navipeças brasileiro: “Com o novo plano de negócios divulgado
pela Petrobras já se fala na construção de 500 embarcações do gênero nos
próximos anos”.
O intercâmbio entre empresas
brasileiras e internacionais da indústria naval foi grande. Em uma rodada de
negócios que reuniu empresas brasileiras e âncoras do Reino Unido, a SSA
(Shipbuilders & Shiprepaires Association) e Sinaval (Sindicato Nacional da
Indústria da Construção e Reaparação Naval e Offshore) acertaram detalhes para
um acordo de colaboração para troca de tecnologia e conhecimento.
No último dia da Navalshore,
foram realizadas palestras sobre as influências das últimas catástrofes
mundiais no seguro de construção de navios e uma série de painéis que abordaram
os investimentos e oportunidades apresentados pelos polos navais do Espírito
Santo, Rio de Janeiro e Suape (Pernambuco).